Só quem tiver uma visão muito estreita do que é uma cidade pode achar que Lisboa se limita ao concelho com esse nome. O concelho de Lisboa é apenas um dos vários concelhos em que se divide a verdadeira cidade, aquela que vai de Cascais até Vila Franca de Xira (numa das muitas hipóteses de delimitação — cada cabeça sua Lisboa). As pessoas que vivem na Amadora, em Sintra, em Oeiras, em Cascais vivem "em Lisboa", como o resto do país sabe e só alguns lisboetas mais provincianos não percebem. Assim, a organização de toda a cidade de Lisboa — e não só do concelho de Lisboa — é importante para a cidade — e para o país.
A divisão autárquica deve reflectir o que existe no terreno. Ora, todos concordam que Lisboa está mal organizada: está muito dividida (em concelhos e freguesias). A fragmentação de Lisboa afasta as autarquias das pessoas. A cidade é só uma, mas não há uma autoridade metropolitana eleita, o que provoca muitos desequilíbrios em termos de impostos, transportes, representação, etc.
Este problema é particularmente notório no Parque das Nações, onde um dos centros da cidade — um centro que não está despovoado à noite, que junta comércio, habitação, serviços e uma frente ribeirinha de que Lisboa se pode orgulhar — está dividido entre três freguesias e dois concelhos.
É importante para a cidade não se desfazer em limites que não têm lógica. Lisboa precisa de ser repensada — e fazer isto sem resolver a questão do Parque das Nações é um mau sinal para o futuro.
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