Terça-feira, Março 01, 2011

A ilógica da divisão

Ou bem que as freguesias — e concelhos, já agora — expressam alguma realidade relativa à população ou território, ou mais valia dividirmos o país a régua e esquadro. Uma autarquia, idealmente, devia ser a expressão política duma comunidade mais ou menos definida. Qualquer reforma administrativa deve ter isso em atenção — melhor ou pior, deve aproximar as entidades autárquicas da realidade existente e não conservar cegamente limites só porque já existiam.

O Parque das Nações é uma comunidade que se criou com uma rapidez fenomenal, um bairro da cidade de Lisboa, um centro habitacional, empresarial e turístico do país, fruto dum episódio recente da história portuguesa.

Essa comunidade vai continuar a existir dê por onde der. Mas, se a reforma das freguesias de Lisboa for em frente sem juntar o Parque numa só freguesia, vai ser uma comunidade sem expressão política enquanto tal, diluída em dois concelhos.

Porquê prejudicar o Parque das Nações impondo uma divisão artificial, com base num limite antigo, que passava invisível por terrenos do porto — e agora passa no coração de um dos centros de Lisboa?

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